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Contas a pagar e receber: como criar uma operação financeira que não dependa de retrabalho

Orbit Gestão

Contas a pagar e contas a receber parecem rotinas simples.

A empresa possui uma obrigação, registra o pagamento e dá baixa.

Possui um valor a receber, registra o recebível e confirma quando o dinheiro entra.

Na prática, a qualidade dessa operação depende de uma série de decisões anteriores.

Quem é o fornecedor?

Qual cliente está associado à receita?

Qual é a competência?

Qual conta contábil deve receber o lançamento?

Qual centro de custos é responsável?

Existe um projeto relacionado?

A movimentação precisa ser rateada?

É recorrente?

Foi parcelada?

Precisa passar por aprovação?

Qual conta bancária será utilizada?

Existe desconto, juros, tarifa ou retenção?

Quando essas respostas são estruturadas dentro do processo, contas a pagar e receber deixam de ser listas de vencimentos.

Transformam-se em uma fonte de informação para toda a gestão.

O primeiro desafio não é o pagamento. É o cadastro.

Grande parte dos problemas financeiros nasce antes da transação.

Começa em cadastros duplicados, fornecedores registrados no lugar errado, clientes sem identificação adequada ou pessoas diferentes utilizando critérios distintos para registrar a mesma coisa.

Por isso, clientes e fornecedores merecem tratamento específico.

Uma base única de clientes reduz inconsistências

O cliente pode aparecer em várias etapas da operação.

Comercial.

Projetos.

Tarefas.

Financeiro.

O importante é que todas essas interações conversem com uma mesma base.

No fluxo apresentado no treinamento, é possível iniciar o cadastro de um cliente a partir de diferentes áreas, mas todos os registros convergem para a mesma lista.

Esse desenho evita que cada departamento crie sua própria versão do cliente.

Outro cuidado importante é utilizar o documento como identificador.

Nomes podem variar.

Uma empresa pode ser cadastrada pelo nome fantasia em um local e pela razão social em outro.

Quando o CNPJ é utilizado como referência, torna-se mais fácil impedir duplicidades.

Essa decisão parece operacional, mas produz efeitos em todo o ciclo de receita.

Um recebível associado ao cliente errado contamina relatórios por cliente, contratos e análises posteriores.

Fornecedores possuem uma lógica diferente

No caso dos fornecedores, a empresa precisa compreender de onde nasce a obrigação.

Nem toda conta a pagar surge de uma compra tradicional.

Há fornecedores originados do processo de Compras.

Há fornecedores que existem apenas para fins financeiros.

E há colaboradores que, em determinados fluxos, precisam ser tratados tecnicamente como fornecedores porque existe um pagamento a ser realizado.

Essa distinção exige alinhamento entre as áreas.

No fluxo demonstrado, um fornecedor cadastrado em Compras pode ser levado ao Financeiro.

Para gerar uma conta a pagar, porém, precisa estar vinculado adequadamente.

Já um fornecedor criado exclusivamente no Financeiro não passa automaticamente a existir em Compras.

Isso significa que a empresa precisa estabelecer um padrão.

Quais fornecedores devem nascer em Compras?

Quais são exclusivamente financeiros?

Como os colaboradores serão importados para a estrutura de pagamentos?

Quem é responsável por evitar duplicidades?

Sem essa governança, o sistema pode acabar reproduzindo a desorganização que deveria solucionar.

Homologação de fornecedor e cadastro não são a mesma coisa

Outro conceito relevante é separar cadastro de homologação.

Cadastrar um fornecedor significa registrar sua existência.

Homologá-lo significa dizer que, dentro dos critérios adotados pela empresa, ele está apto a fornecer.

Para organizações sujeitas a determinadas certificações ou que possuem processos estruturados de compras, essa diferença é especialmente importante.

A empresa pode possuir um fornecedor cadastrado e ainda assim não considerá-lo aprovado para determinada utilização.

Isso cria rastreabilidade.

Cadastro responde “quem é”.

Homologação responde “está aprovado para fornecer?”.

Como nasce uma conta a pagar bem estruturada

Uma conta a pagar não deveria conter apenas nome, valor e vencimento.

O exemplo apresentado no treinamento mostra um lançamento muito mais completo.

É possível registrar:

fornecedor;

descrição;

valor;

data de emissão;

competência;

documento relacionado;

conta contábil;

centro de custos;

projeto;

código de referência;

rateio;

recorrência;

parcelamento.

Veja como isso muda a leitura.

Uma compra de R$ 100 em itens para escritório pode parecer irrelevante isoladamente.

Mas, quando ela recebe competência, centro de custos e conta contábil adequados, passa a fazer parte de uma visão consolidada.

Se a despesa for parcelada, o sistema distribui as obrigações.

Se for recorrente, a natureza do compromisso fica registrada.

Se precisar ser rateada entre áreas, essa distribuição também pode ser definida.

O lançamento deixa de ser uma anotação.

Passa a carregar contexto.

A competência não deve ser confundida com a data do pagamento

Um dos detalhes presentes na rotina é a possibilidade de diferenciar a data de lançamento da competência.

Isso é importante porque uma despesa pode ser registrada hoje e pertencer economicamente a um período anterior.

Se essa distinção não existe, análises mensais ficam distorcidas.

O financeiro passa a mostrar o momento em que alguém digitou ou pagou algo, e não necessariamente o período ao qual aquela movimentação pertence.

Essa simples informação ajuda a construir relatórios muito mais coerentes.

Aprovação pode acontecer automaticamente conforme a alçada

Depois do lançamento, entra a governança.

Dependendo das regras configuradas, determinadas contas podem seguir automaticamente como aprovadas.

Outras precisam passar por um fluxo de autorização.

No exemplo do treinamento, um valor inferior à alçada definida já aparece aprovado.

Essa automação é útil porque evita tratar todas as despesas como se possuíssem o mesmo risco.

Uma compra pequena de materiais não precisa necessariamente passar pelo mesmo fluxo de um compromisso financeiro relevante.

A regra deve refletir a política da empresa.

Agendar é diferente de pagar

Outra separação importante é entre programar o pagamento e efetivamente confirmá-lo.

A empresa pode selecionar a conta bancária que será utilizada, a data e o método de pagamento.

Depois, quando a liquidação realmente ocorrer, confirma o pagamento.

Nesse momento, ainda podem ser registrados elementos como tarifa, desconto ou juros.

Essa distinção melhora o controle porque permite enxergar compromissos futuros sem tratá-los antecipadamente como valores já liquidados.

Também é possível trabalhar com pagamentos em lote, reduzindo esforço operacional quando várias contas seguem o mesmo fluxo.

Reembolso não deveria existir fora do financeiro

Reembolsos são um ótimo exemplo de processo que costuma escapar para mensagens, e-mails ou planilhas.

Um colaborador compra algo.

Envia a nota.

Alguém aprova.

Outra pessoa pergunta se já foi pago.

O funcionário pergunta novamente alguns dias depois.

O treinamento apresenta uma lógica diferente.

O próprio colaborador cria a prestação de contas.

Informa a despesa.

Anexa o comprovante.

Submete para aprovação.

A tesouraria revisa.

Pode aprovar integralmente ou aplicar uma glosa.

Depois, o valor aprovado é lançado em contas a pagar.

Por fim, o pagamento é realizado.

O colaborador consegue acompanhar a evolução do status.

O exemplo utilizado — a compra de um bolo para uma comemoração — é simples, mas didático.

Uma despesa de R$ 120 pode ser analisada e, se necessário, parcialmente glosada.

A discussão deixa de acontecer fora do sistema.

O histórico fica conectado ao pagamento.

Essa rastreabilidade é muito mais importante do que o valor específico do exemplo.

Contas a receber precisam do mesmo nível de estrutura

Do lado das receitas, a lógica é semelhante.

Um novo recebível começa pela associação ao cliente.

Depois, a empresa informa valor, descrição, competência, documento, conta contábil, centro de custos e outros elementos relacionados à operação.

Também existe a possibilidade de parcelas, recorrência e rateio.

Esse último ponto é particularmente relevante.

Uma única cobrança feita ao cliente pode representar internamente mais de uma entrega.

Em vez de enviar vários boletos apenas para facilitar a contabilidade interna, a empresa pode manter uma cobrança simples para o cliente e distribuir internamente o valor entre diferentes centros.

Isso preserva a experiência externa sem sacrificar a qualidade da informação gerencial.

Receitas também podem ser rateadas

Muitas empresas associam rateio apenas a despesas.

Mas receitas também podem precisar dessa divisão.

No exemplo do treinamento, uma venda pode envolver diagnóstico, consultoria e auditoria.

O cliente realiza um pagamento único.

Internamente, determinada parcela é direcionada à área responsável por outra parte da entrega.

Isso cria uma visão mais fiel da participação de cada área no resultado.

Sem esse rateio, um único centro poderia concentrar toda a receita, mesmo quando a entrega foi compartilhada.

Recorrência melhora a previsibilidade operacional

Contratos mensais e cobranças recorrentes exigem um tratamento diferente de vendas pontuais.

Registrar a recorrência evita recriar manualmente a mesma obrigação a cada ciclo.

No material apresentado, também é possível definir se a recorrência é indefinida ou possui um encerramento.

Isso é especialmente útil para modelos de receita mensal.

O sistema deixa de depender de alguém lembrar de criar o próximo recebível.

A obrigação passa a fazer parte da própria estrutura do contrato financeiro.

O recebimento precisa registrar o que realmente aconteceu

Quando o cliente paga, a baixa pode incluir outros elementos além do valor originalmente previsto.

Juros.

Tarifas.

Retenções.

Outras diferenças que façam parte do recebimento efetivo.

Essa capacidade é importante porque previsão e realização nem sempre são idênticas.

O que foi faturado é uma informação.

O que efetivamente entrou na conta é outra.

Uma gestão consistente preserva as duas.

Contas a pagar e receber alimentam algo maior

A principal razão para estruturar bem essas rotinas é que elas alimentam o fluxo de caixa e as análises posteriores.

Cada pagamento confirmado se transforma em uma saída realizada.

Cada recebimento confirmado se transforma em uma entrada realizada.

Compromissos ainda não liquidados contribuem para a visão projetada.

Quando as classificações foram feitas corretamente, a gestão consegue posteriormente analisar o financeiro por conta, centro de custos, cliente, fornecedor e outras dimensões.

Por isso, o verdadeiro objetivo de uma boa rotina de contas a pagar e receber não é apenas não esquecer vencimentos.

É produzir informação confiável enquanto a operação acontece.

O melhor lançamento é aquele que não precisa ser reinterpretado depois

Sempre que uma equipe financeira precisa abrir a descrição de dezenas de lançamentos para descobrir do que se trata, existe um sinal de problema.

A informação deveria estar estruturada.

Quem é o fornecedor?

Qual área utilizou?

Qual projeto?

Qual natureza?

Qual competência?

Foi recorrente?

Foi rateado?

Foi aprovado?

Quando foi pago?

Essas respostas deveriam acompanhar o lançamento desde a origem.

O mesmo vale para receitas.

Cliente.

Contrato.

Competência.

Centro de custos.

Parcelas.

Recorrência.

Rateio.

Recebimento.

Retenções.

Quando os dados entram corretamente, a empresa reduz uma atividade extremamente cara e pouco percebida: reconstruir posteriormente o contexto que já existia no momento da transação.

Operação simples exige estrutura sólida

Existe uma aparente contradição.

Quanto mais organizada é a estrutura financeira, mais simples se torna a rotina.

A conta a pagar pode ser criada rapidamente porque contas, fornecedores, centros, métodos e alçadas já existem.

O recebível pode ser lançado rapidamente porque o cliente já faz parte de uma base única.

O reembolso avança porque o fluxo de aprovação já foi desenhado.

A equipe não precisa decidir tudo novamente a cada transação.

Esse é um dos sinais de uma gestão financeira madura.

Ela transforma decisões repetitivas em estrutura.

Se a sua equipe ainda depende de mensagens, planilhas paralelas ou da memória das pessoas para entender pagamentos, recebimentos e reembolsos, revise o desenho do processo. Uma operação financeira eficiente não começa na baixa. Começa no contexto que acompanha cada lançamento.

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