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EstratégiaStrategy

Indicadores de desempenho: como conectar estratégia, processos, qualidade e pessoas

Orbit Gestão

Criar indicadores de desempenho é relativamente simples. O desafio começa quando a empresa precisa explicar por que cada indicador existe, qual objetivo ele monitora, quem responde por seu resultado e o que deve acontecer quando o número fica fora da meta.

É justamente nesse ponto que muitas estruturas de gestão se fragilizam.

Empresas acumulam planilhas, dashboards, métricas comerciais, relatórios financeiros, índices de qualidade e indicadores departamentais. Há uma grande quantidade de números disponíveis, mas nem sempre existe uma relação clara entre esses números e aquilo que a organização decidiu alcançar.

O problema, portanto, não é necessariamente a falta de indicadores.

Em muitos casos, o problema é a falta de arquitetura.

Um indicador de desempenho deveria existir porque há um resultado previamente definido que precisa ser acompanhado. Esse resultado pode estar relacionado à estratégia da empresa, a um processo, a uma saída que precisa atender determinado requisito ou à responsabilidade de uma pessoa dentro da organização.

Quando essa lógica é respeitada, os indicadores deixam de funcionar apenas como ferramentas de monitoramento e passam a compor um sistema de execução da estratégia.

A pergunta deixa de ser:

“Quais indicadores devemos acompanhar?”

E passa a ser:

“Quais resultados precisamos alcançar e quais indicadores conseguem demonstrar objetivamente se estamos avançando nessa direção?”

Essa mudança aparentemente pequena altera profundamente a qualidade da gestão.

O erro de começar pelo indicador

É comum abrir um software de gestão, uma planilha ou uma ferramenta de BI e iniciar a estruturação da gestão pelo campo “novo indicador”.

Essa sequência é perigosa.

Antes de criar qualquer indicador, a organização deveria ser capaz de responder qual resultado pretende acompanhar.

Indicadores existem para verificar resultados.

Se não há um resultado previamente definido, o indicador corre o risco de se tornar apenas um número que alguém decidiu acompanhar porque parece relevante.

Isso explica por que algumas empresas convivem com dezenas ou até centenas de métricas sem conseguir responder com segurança se a estratégia está funcionando.

A lógica correta acontece no sentido contrário.

Primeiro define-se o objetivo.

Depois identifica-se o resultado esperado.

Em seguida estabelece-se a forma de medição.

Somente então o indicador é criado.

Essa relação entre objetivo e medição precisa ser explícita.

Imagine, por exemplo, que uma empresa tenha definido como objetivo estratégico reduzir seus custos operacionais em 10% até o final de determinado exercício.

Nesse caso, existe um resultado concreto: redução de 10% nos custos operacionais.

A partir dele, pode ser criado um indicador como “índice de redução de custos operacionais”.

A descrição do indicador também não deve ser tratada como mera formalidade. Ela precisa deixar claro o que está sendo medido, por que a medição existe e qual resultado se espera alcançar.

Uma descrição adequada poderia explicar que o indicador mede a porcentagem de redução obtida nos custos operacionais como consequência de iniciativas de automação de processos, tendo como objetivo alcançar redução de 10% até o final do período estabelecido.

Agora existe contexto.

Não é apenas um percentual em um dashboard.

Existe uma decisão estratégica por trás do número.

Indicadores de desempenho começam no planejamento estratégico

A primeira grande origem dos indicadores deve ser o planejamento estratégico.

Quando a organização define objetivos estratégicos, ela está transformando sua direção de longo prazo em resultados que possam ser perseguidos.

Esses objetivos funcionam como degraus entre a realidade atual da empresa e sua missão.

Por isso, depois de estabelecer um objetivo estratégico, surge uma pergunta inevitável:

Como saberemos se esse objetivo está sendo cumprido?

A resposta é por meio de indicadores.

Se a organização pretende reduzir custos, deve acompanhar indicadores que demonstrem essa redução.

Se pretende aumentar a satisfação dos clientes, precisa medir satisfação.

Se deseja elevar a produtividade, precisa definir de que maneira produtividade será mensurada.

Se busca melhorar sua margem, deve estabelecer a métrica capaz de mostrar a evolução desse resultado.

Existe, portanto, uma ligação direta:

Missão → objetivos estratégicos → indicadores estratégicos

Essa relação é importante porque impede a criação indiscriminada de indicadores.

A pergunta utilizada para validar um indicador estratégico deveria ser:

“Se esse resultado melhorar, estaremos efetivamente mais próximos do objetivo estratégico definido?”

Quando a resposta é negativa ou pouco clara, provavelmente a métrica não deveria ocupar espaço prioritário na gestão estratégica.

O indicador estratégico precisa chegar até a operação

Definir objetivos e indicadores estratégicos não resolve sozinho o desafio da execução.

Uma empresa não alcança um objetivo simplesmente porque ele foi registrado no planejamento estratégico.

Alguém precisa executar atividades capazes de produzir aquele resultado.

É nesse momento que entram os processos.

Os processos representam o desdobramento tático e operacional da estratégia.

Se os objetivos estratégicos indicam aonde a organização precisa chegar, os processos determinam como o trabalho deverá funcionar para produzir os resultados necessários.

Essa relação precisa ser continuamente revisada.

Um dos problemas mais recorrentes em estruturas de gestão acontece quando a empresa altera seu planejamento estratégico, mas mantém seus processos praticamente intactos durante anos.

Se a organização deseja alcançar resultados diferentes, algum elemento da execução provavelmente precisará mudar.

Comportamentos iguais tendem a produzir resultados semelhantes.

Portanto, se o planejamento estabelece um novo resultado, os processos devem ser avaliados para verificar se continuam adequados à nova direção.

Essa é a segunda camada da arquitetura de indicadores.

Objetivo estratégico → processo → objetivo do processo → indicador do processo

Considere uma organização que tenha como objetivo alcançar 95% de satisfação dos clientes.

Esse objetivo não pode permanecer restrito ao planejamento.

É necessário identificar quais processos influenciam diretamente a experiência do cliente.

Atendimento, implantação, suporte, entrega, pós-venda ou operação podem estar envolvidos.

Cada processo precisa ter um objetivo coerente com aquilo que a estratégia exige.

Em seguida, indicadores são utilizados para verificar se o objetivo daquele processo está sendo atingido.

Essa estrutura permite que a gestão saia da abstração.

Em vez de afirmar apenas que “precisamos melhorar a satisfação”, a empresa passa a identificar quais processos são responsáveis por produzir essa satisfação e quais resultados precisam ser monitorados dentro deles.

Indicadores de processo transformam estratégia em rotina

A estratégia se torna executável quando consegue chegar ao nível dos processos.

Um processo bem estruturado não deveria existir apenas porque “sempre foi feito dessa forma”.

Ele possui um propósito.

Produz saídas.

Tem pessoas responsáveis.

Precisa atender requisitos.

E deve contribuir para algum resultado relevante da organização.

Consequentemente, seus indicadores não podem ser escolhidos isoladamente.

Um indicador de processo deve demonstrar se o processo está conseguindo cumprir o objetivo para o qual foi estruturado.

Isso cria uma importante disciplina de gestão.

Quando determinado indicador começa a apresentar desempenho insuficiente, a discussão deixa de ser apenas sobre o número.

Passa-se a investigar o processo responsável por produzi-lo.

O indicador funciona, nesse cenário, como um sinal.

Ele informa que existe diferença entre o resultado esperado e o resultado realizado.

A gestão precisa então investigar o que está provocando esse desvio.

Controle de qualidade também é indicador de desempenho

A terceira origem importante dos indicadores está relacionada às saídas dos processos.

Todo processo produz algum tipo de saída.

Pode ser um produto fabricado, um serviço entregue, um documento emitido, um atendimento concluído, uma implantação realizada ou qualquer outro resultado intermediário ou final.

Essas saídas precisam atender determinados requisitos.

É nesse ponto que aparece o controle de qualidade.

Imagine uma operação que precisa produzir dez peças dentro de uma determinada especificação técnica.

Ao final do período, foram produzidas apenas nove peças em conformidade.

Existe um objetivo: produzir dez peças dentro da especificação.

Existe um realizado: nove.

Existe uma diferença.

A medição dessa diferença é, na prática, um indicador.

Por isso, o controle de qualidade não deve ser tratado como uma estrutura completamente separada da gestão por indicadores.

Ele mede se determinada saída atende ao requisito estabelecido.

A lógica permanece a mesma:

Requisito da saída → resultado esperado → medição → indicador

Essa arquitetura é particularmente importante porque conecta estratégia e execução ao nível mais concreto da operação.

O planejamento estratégico pode estabelecer objetivos amplos, mas são as entregas realizadas todos os dias que determinam se esses objetivos serão alcançados.

A quarta camada dos indicadores: as pessoas

Processos não são executados de forma abstrata.

Pessoas executam processos.

Essa constatação leva à quarta camada da gestão por indicadores: os indicadores associados a cargos e colaboradores.

Depois que a organização compreende quais processos precisam funcionar para alcançar seus objetivos estratégicos, torna-se necessário definir o que cada cargo precisa entregar dentro desses processos.

Um cargo deveria possuir responsabilidades vinculadas aos resultados esperados da operação.

Essas responsabilidades podem, quando necessário, ser traduzidas em metas e indicadores.

A lógica de cascateamento fica então mais completa:

Missão → objetivos estratégicos → processos → saídas → cargos → pessoas

Essa estrutura gera uma consequência importante.

Quando as metas individuais estão corretamente conectadas aos processos e os processos estão corretamente conectados à estratégia, o desempenho individual deixa de ser analisado de forma isolada.

O resultado de cada pessoa passa a fazer parte do sistema de execução da empresa.

Isso também muda a discussão sobre avaliação de desempenho.

A pergunta não é apenas se determinado colaborador “trabalhou bem”.

A pergunta passa a ser se ele entregou os resultados pelos quais seu cargo é responsável e se essas entregas contribuíram para o processo do qual participa.

Todo indicador precisa ter um responsável

Há uma regra simples que evita uma quantidade significativa de problemas de gestão:

todo indicador deve ter um responsável claramente definido.

Indicadores sem responsáveis tendem a ficar sem atualização.

Quando ninguém sabe exatamente quem deve registrar o realizado, revisar os dados ou justificar um desvio, a medição perde confiabilidade.

Com o tempo, o dashboard continua existindo, mas seus dados deixam de representar a realidade operacional.

A responsabilidade precisa estar definida já na configuração do indicador.

Quem preenche?

Quem acompanha?

Quem precisa visualizar?

Quem deve agir quando houver um desvio?

Em sistemas de gestão integrados, essa responsabilidade pode ser direcionada ao espaço de trabalho da própria pessoa, evitando que o colaborador dependa de lembretes informais para descobrir quais informações precisa atualizar.

A clareza sobre responsabilidade é tão importante quanto a escolha da própria métrica.

Um excelente indicador desatualizado é menos útil do que um indicador simples, corretamente preenchido e utilizado para tomar decisões.

Evite a duplicidade de indicadores

Outro erro recorrente acontece quando diferentes áreas criam indicadores distintos para acompanhar exatamente o mesmo resultado.

Satisfação do cliente é um exemplo clássico.

A satisfação pode aparecer como objetivo estratégico e, simultaneamente, ser responsabilidade de uma área operacional.

Isso não significa que seja necessário criar dois indicadores diferentes para medir a mesma satisfação.

Quando o indicador já existe, a recomendação é vinculá-lo aos diferentes contextos que precisam acompanhá-lo, evitando duplicidade.

Um único indicador pode estar associado a mais de um departamento ou objetivo quando a estrutura da gestão exigir isso.

A duplicidade cria problemas importantes.

Duas áreas podem utilizar fórmulas diferentes.

Os períodos podem divergir.

O número apresentado pela operação pode não coincidir com aquele apresentado no planejamento estratégico.

Rapidamente a reunião deixa de discutir o resultado e passa a discutir qual número está correto.

Uma boa arquitetura de indicadores trabalha, sempre que possível, com uma fonte consistente para cada resultado.

Como configurar um indicador corretamente

Depois que a origem e o objetivo do indicador estão claros, começa a configuração da medição.

Há diversos elementos que precisam ser definidos.

Entre eles estão unidade de medida, frequência, direção da meta, tipo de meta, responsável, visibilidade e, quando aplicável, distribuição ou rateio.

A unidade depende da natureza do resultado.

Um indicador pode ser medido em percentual, quantidade, tempo, valor financeiro ou unidade personalizada.

Essa possibilidade de personalização é importante porque nem toda operação trabalha com unidades convencionais.

Em determinados negócios, a unidade relevante pode estar associada a uma medida específica da atividade.

O ponto principal é que a unidade seja inequívoca.

Todas as pessoas que utilizam o indicador precisam compreender exatamente o que o número representa.

A direção da meta também deve estar definida.

Em alguns casos, quanto maior o resultado, melhor.

Receita e percentual de satisfação são exemplos possíveis.

Em outros, quanto menor, melhor.

Tempo de resposta, índice de defeitos ou custos podem seguir essa lógica, dependendo da forma como o indicador foi construído.

Não definir corretamente essa direção pode fazer com que a ferramenta interprete de forma equivocada aquilo que representa bom ou mau desempenho.

Meta fixa: quando o valor esperado não muda entre períodos

Uma das estruturas possíveis é a meta fixa.

Nesse modelo, o valor esperado permanece igual ao longo dos períodos de medição.

Uma meta de satisfação do cliente de 95%, por exemplo, pode permanecer constante mês após mês.

Janeiro: 95%.

Fevereiro: 95%.

Março: 95%.

E assim sucessivamente.

O mesmo pode acontecer com determinados controles de qualidade.

Quando a especificação exige determinado nível de conformidade, não faria sentido reduzir a exigência simplesmente porque a empresa entrou em um mês de menor movimento.

Nesse cenário, a meta permanece fixa e o realizado de cada período é comparado ao mesmo parâmetro.

Esse modelo funciona bem quando não existe sazonalidade relevante no resultado esperado.

Meta por período: quando a sazonalidade precisa entrar no planejamento

Nem todas as operações possuem comportamento uniforme durante o ano.

Em empresas comerciais, por exemplo, diferentes meses podem apresentar potenciais significativamente distintos.

Há negócios em que janeiro possui menor movimento.

Outros enfrentam quedas em julho.

Há operações para as quais dezembro representa um período extremamente forte, enquanto determinados meses são naturalmente mais lentos.

Definir a mesma meta para todos os meses pode produzir uma análise pouco realista.

É nesse cenário que a meta por período se torna útil.

O indicador continua sendo medido mensalmente, por exemplo, mas cada mês possui seu próprio valor esperado.

Uma empresa pode estabelecer R$ 10 mil para determinado mês, R$ 15 mil para outro e R$ 20 mil para um período historicamente mais forte.

O comportamento da medição é semelhante ao da meta fixa.

A diferença é que a referência utilizada na comparação muda conforme o período.

Isso permite incorporar a sazonalidade ao sistema de gestão sem perder a disciplina de acompanhamento.

Meta acumulada: quando o resultado final depende da soma de várias entregas

A meta acumulada atende a uma necessidade diferente.

Nesse caso, o que importa é o resultado consolidado dentro de determinado intervalo.

Imagine uma operação que precise produzir 50 unidades durante um mês.

A produção acontece diariamente.

Em um dia são produzidas 12 unidades.

Em outro, 15.

Depois mais três.

Cada lançamento alimenta o histórico, mas a gestão precisa saber se o conjunto das entregas está caminhando para alcançar as 50 unidades previstas.

O indicador acumulado consolida esses registros.

A mesma lógica pode ser utilizada para diferentes períodos e resultados.

A consolidação pode acontecer por soma ou, dependendo do indicador, por média.

O elemento central é compreender que o realizado final é formado progressivamente pelas medições realizadas dentro do período.

Essa estrutura é particularmente útil quando a gestão precisa acompanhar não apenas o resultado final, mas também a evolução até ele.

Rateio de metas: quando várias pessoas contribuem para o mesmo resultado

Alguns objetivos são coletivos.

Uma meta de vendas pode pertencer à empresa ou a uma equipe comercial, mas ser executada por vários vendedores.

Nesse caso, é possível distribuir a responsabilidade pelo resultado.

Essa distribuição pode ser igual ou seguir percentuais diferentes.

Um profissional pode responder por 40% da meta, enquanto os demais ficam responsáveis pelo restante, por exemplo.

A vantagem dessa estrutura é manter a visão corporativa sem perder a responsabilidade individual.

Existe uma meta total.

Existem contribuições individuais.

E o sistema consegue demonstrar de que maneira as entregas de cada pessoa estão compondo o resultado final.

É importante, entretanto, não confundir rateio com cálculo de remuneração ou com modelos comerciais extremamente complexos.

Em operações que possuem múltiplos produtos, fabricantes, margens, rotas e regras comerciais diferentes, pode ser necessário realizar a memória de cálculo fora do indicador.

O sistema recebe então o resultado final que cada profissional precisa entregar, enquanto as regras utilizadas para chegar a esse número permanecem em uma camada específica de cálculo ou integração.

Essa separação evita transformar o indicador em uma estrutura excessivamente complexa.

Nem todo mundo precisa visualizar todos os indicadores

A governança de indicadores também envolve visibilidade.

Algumas métricas podem ser públicas para toda a organização.

Outras precisam ficar restritas a determinadas áreas ou pessoas.

Também podem existir informações confidenciais acessíveis somente aos responsáveis autorizados.

A mesma lógica pode ser aplicada dentro do rateio de metas.

Em uma equipe comercial, por exemplo, a empresa pode decidir que cada vendedor visualizará apenas sua meta e seu realizado.

Em outro modelo, todos poderão acompanhar o desempenho de todos.

Também é possível concentrar a visão completa no gestor.

Não existe uma única configuração válida para todas as organizações.

O importante é que a regra esteja alinhada ao modelo de gestão e à natureza da informação.

Visibilidade não deve ser consequência do acaso ou da limitação da ferramenta.

Deve ser uma decisão de governança.

Indicador fora da meta não é apenas um número vermelho

Uma das funções mais importantes de um sistema de indicadores aparece justamente quando o resultado fica abaixo do esperado.

Se o indicador foi criado porque existe um objetivo que precisa ser cumprido, um desvio indica que alguma parte da execução precisa ser analisada.

Nesse momento, a organização não deveria simplesmente registrar que o número ficou vermelho e seguir para o próximo indicador.

O desvio precisa gerar investigação.

Qual foi a causa?

O processo falhou?

Houve alteração de cenário?

A meta foi mal definida?

Existe um problema operacional?

Alguma ação deixou de ser executada?

Há uma restrição que precisa ser tratada?

Quando o sistema de gestão permite transformar o desvio do indicador em um problema formal, cria-se uma conexão importante entre medição e ação corretiva.

O indicador deixa de ser apenas um painel informativo.

Ele se torna um gatilho para gestão.

Dashboards devem consolidar decisões, não decorar reuniões

Quando a arquitetura de indicadores está estruturada, dashboards passam a ter muito mais valor.

É possível criar painéis específicos para diferentes necessidades, selecionar indicadores relevantes, alterar formas de visualização, consolidar períodos e aplicar filtros.

Entretanto, o dashboard é a camada visual de uma lógica que precisa existir antes dele.

Um painel bonito não corrige um indicador mal definido.

Também não corrige metas desconectadas da estratégia.

O dashboard deve responder perguntas de gestão.

Como estamos em relação aos objetivos?

Quais resultados estão fora da meta?

Qual área apresenta maior criticidade?

Que tendência aparece ao longo dos períodos?

Onde existe risco de não atingir o planejamento?

O painel se torna útil quando reduz o tempo entre observar o resultado e tomar uma decisão.

Inteligência artificial amplia a análise quando os dados estão estruturados

Uma estrutura consistente de indicadores também cria uma base muito mais rica para análises realizadas por agentes de inteligência artificial.

Quando os indicadores possuem contexto, histórico, metas, realizados, responsáveis e relação com objetivos estratégicos, um agente pode analisar tendências, criticidade e projeções com mais profundidade.

Também pode ajudar na construção de planos de ação e na identificação de impactos.

No contexto apresentado no Orbit, a análise não se restringe somente aos indicadores cadastrados manualmente.

O ambiente também possui dados originados de pesquisas, ocorrências, riscos, oportunidades, fluxos, compras, financeiro e CRM.

Isso amplia significativamente o contexto utilizado na análise.

Em vez de perguntar somente “como está meu indicador de vendas?”, a gestão pode cruzar diferentes dimensões da operação.

É possível perceber, por exemplo, que vários indicadores operacionais aparentam estar dentro do esperado e, ainda assim, a meta estratégica permanece distante.

Esse tipo de contradição é extremamente relevante.

Ela pode indicar que os indicadores escolhidos não estão medindo aquilo que realmente determina o resultado estratégico.

Ou que alguma camada importante da operação ainda não está sendo monitorada.

A inteligência aplicada à gestão ganha valor quando consegue identificar justamente essas relações.

CRM, financeiro e operação também produzem indicadores

Nem toda informação gerencial precisa ser criada manualmente no módulo de indicadores.

Sistemas operacionais já produzem diversos dados relevantes.

Um CRM pode gerar taxas de conversão, desempenho por vendedor e evolução dos funis.

O financeiro produz informações sobre contas a pagar, contas a receber e outros resultados econômicos.

Pesquisas podem consolidar satisfação.

Registros de ocorrências ajudam a entender problemas operacionais.

Mapas de risco e oportunidade oferecem outra dimensão da gestão.

Isso cria uma distinção importante entre indicador cadastrado e informação gerencial.

A organização não deveria criar manualmente uma métrica se o próprio processo já produz aquele dado de forma confiável.

O objetivo é construir uma visão integrada.

Quanto mais fragmentadas estiverem as informações entre diferentes ferramentas, planilhas e cadastros paralelos, maior tende a ser o esforço necessário para consolidar a gestão.

É justamente por isso que estruturas centralizadas ganham relevância.

Integrações são importantes para reduzir alimentação manual

Nem todos os indicadores podem ser atualizados automaticamente.

Em determinados casos, o realizado precisa ser informado manualmente.

Por isso, novamente, a responsabilidade pelo preenchimento precisa estar claramente atribuída.

Entretanto, organizações que trabalham com volumes elevados de dados podem utilizar importações de planilhas, integrações e mecanismos de conexão com outras plataformas para reduzir trabalho operacional.

Quando existe um histórico de indicadores em outra ferramenta, por exemplo, ele pode ser incorporado ao sistema para preservar a série histórica.

Integrações também se tornam especialmente importantes quando a regra de cálculo é complexa.

Em uma operação comercial com diferentes margens, produtos e fabricantes, tentar reproduzir toda a memória de cálculo dentro de um único indicador pode não ser o melhor caminho.

A lógica pode ser processada em outro ambiente e o resultado consolidado enviado para o indicador responsável pelo acompanhamento.

O princípio permanece o mesmo: o indicador precisa representar o resultado de forma clara.

Quantos indicadores uma empresa deve ter?

Não existe um número universal.

Uma empresa que conecta objetivos estratégicos, processos, controles de qualidade e pessoas naturalmente pode chegar a uma quantidade considerável de indicadores.

Isso não é necessariamente um problema.

O problema aparece quando a organização possui muitos indicadores sem endereçamento, responsabilidade ou finalidade.

Um conjunto grande de indicadores pode funcionar muito bem quando cada um deles possui uma origem clara, um responsável e uma relação objetiva com a gestão.

Por outro lado, dez indicadores mal definidos já podem produzir confusão suficiente.

Portanto, a discussão sobre quantidade deve vir depois da discussão sobre arquitetura.

Para avaliar se um indicador merece permanecer no sistema, a organização pode utilizar cinco perguntas:

  1. Qual objetivo esse indicador monitora?
  2. Quem é responsável pelo resultado e pelo preenchimento?
  3. Qual decisão será tomada quando o indicador sair da meta?
  4. Existe outro indicador medindo exatamente a mesma coisa?
  5. Se esse indicador deixar de ser acompanhado, perderemos alguma informação importante para executar a estratégia?

Se a equipe não consegue responder essas perguntas, existe uma boa chance de o indicador precisar ser revisto.

Gestão por indicadores é, na prática, gestão da execução

O verdadeiro valor de um indicador não está no gráfico.

Está na conexão que ele estabelece entre intenção e execução.

A empresa define sua direção no planejamento estratégico.

Os processos precisam operar de maneira compatível com essa direção.

As saídas desses processos precisam atender requisitos.

Os cargos precisam possuir entregas coerentes com os processos.

As pessoas precisam executar aquilo que seus cargos exigem.

E os indicadores precisam demonstrar se todos esses elementos estão produzindo os resultados esperados.

Quando esse encadeamento funciona, a gestão deixa de depender exclusivamente da percepção dos líderes.

A organização passa a trabalhar com evidências.

Se as pessoas estão atingindo suas metas, os processos estão entregando seus resultados, os requisitos de qualidade estão sendo atendidos e os objetivos estratégicos continuam fora da meta, existe uma inconsistência que precisa ser investigada.

Talvez os processos não estejam realmente conectados à estratégia.

Talvez os indicadores estejam medindo atividades, e não resultados.

Talvez os objetivos tenham sido mal desdobrados.

Talvez a estratégia precise ser revista.

É justamente essa capacidade de revelar incoerências que torna uma boa estrutura de indicadores tão poderosa.

Da medição à gestão

Uma empresa orientada por indicadores não é aquela que possui o maior dashboard.

É aquela que consegue explicar por que cada número existe.

Ela sabe qual objetivo está sendo monitorado.

Sabe de onde o dado vem.

Sabe quem responde por ele.

Sabe qual meta precisa ser alcançada.

Sabe como interpretar desvios.

E, principalmente, sabe o que fazer quando o realizado se distancia do planejado.

Esse é o ponto em que medição se transforma em gestão.

Criar indicadores isoladamente é simples.

Construir uma cadeia de indicadores capaz de conectar missão, planejamento estratégico, processos, qualidade, cargos e pessoas exige uma visão muito mais madura.

Mas é essa conexão que permite transformar o planejamento estratégico em algo executável.

Porque estratégia não é apenas aquilo que a empresa pretende alcançar.

Estratégia também é a capacidade de organizar processos, responsabilidades, métricas e decisões para aumentar a probabilidade de que aquilo que foi planejado realmente aconteça.

Se os seus indicadores hoje estão espalhados entre planilhas, sistemas e dashboards sem uma relação clara com objetivos, o próximo passo não deveria ser criar mais métricas.

Deveria ser revisar a lógica que sustenta as que já existem.

Comece pelo objetivo.

Identifique o processo responsável por entregá-lo.

Defina o resultado esperado.

Estabeleça quem responde pela execução.

E só então determine qual indicador é capaz de demonstrar, com objetividade, se a organização está avançando.

É assim que indicadores deixam de ser números acompanhados em reuniões e passam a funcionar como uma verdadeira infraestrutura para execução da estratégia.

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